Diversos


Poemas


Ó povo de Fortaleza!
Venha conhecer Cabo Verde.

As dez ilhas espalhadas
no oceano Atlântico

Lá existe badias bonitas,
mar azul, batuque e funaná.

Também tem katxupa,
djagacida e café do Fogo.

Se visitares São Vicente,
dancarás ao ritmo da Cesária Évora.

Na Cidade Velha, conhecerás
a nossa história.

Na ilha do Sal, Boa Vista, Maio
banharás nas lindas praias.

Em São Antão, escalarás montanhas
lindas e verdejantes.

Na ilha Brava conhecerás a ilha de Eugénio Tavares
ao tom de "Forsa di kretxeu".

Santa Luzia é desabitada,
mas lá existe uma vegetação deslumbrante.

Si bó bá lá,
bó ta gostá, si bó gostá,
bó ta fika!
                                                                                    

                                              
                                                           Maria da Luz Cardoso
                                               
                               
                                      Fortaleza, 08/ 2012







Cabo Verde

Cabo Verde quente de clima,
Sentimentos e alma.
Quentes são os teus ritmos
Quente é a tua gente.

Longe de ti minha terrinha,
O frio envolve minha alma
Embrulha-me a calma
Mas a saudade me aninha.

Anseio o regresso
Para o seio
Da minha gente,
Pois minha alma ressente
E dos meus olhos resvale
Lágrimas de saudade.



                                                                      


Ó MAR


Ó Mar, que banhas as águas de Cabo Verde
Contemplar-te é o meu querer,
E nas tuas águas mergulhar
E na mistura das tuas cores me perder.


Ó Mar, que banhas as minhas lembranças
Vem banhar meu coração
Envolve-me nas ondas da saudade
Sentindo o calor das tuas águas.


Ó Mar que banhas as ilhas
Perdidas no atlântico
Vem aquecer-me a alma
Que se mergulhou no antártico.
                                                            

                                                          Cleite



                                                                       Fortaleza, 08/2012


Memórias de Letramento




Memória do meu primeiro contato com a leitura e a  escrita
        

            Recordo com muita nostalgia a minha infância, sem deixar de referir que momentos marcantes continuam vivos na minha memória, inclusive a minha minha aprendizagem da leitura e da escrita.

            Em casa dos meus pais havia muitos livros, dentre esses, um era o meu predileto, o livro intitulado “Meu Livro de Histórias Bíblicas”. O referido livro não deixava de ser interessante para mim, pois predominava nele gravuras coloridas e muito lindas acompanhadas de histórias tiradas da Bíblia.

            Entretanto na altura eu não sabia ler, mas sabia as histórias porque eram lidas pelos meus pais e eu as interiorizava através das gravuras. Às vezes até fazia de conta que estava a ler,  todavia tudo que eu lia não passava do fruto da minha imaginação. A minha ansiedade por aprender a ler era tão intensa que eu perguntava à minha mãe quando é que eu aprenderia a ler, até dizia que nunca iria aprender a ler como ela porque achava que era muito difícil.

            Ao frequentar o Ensino Básico Integrado (EBI), vi a oportunidade de poder “devorar” os livros através da leitura e ao mesmo tempo aprender a escrever. Nessa etapa da minha vida, lembro-me que a minha professora era muito exigente connosco, também pude constatar  que ela sentia prazer em nos bater, uma vez que ela fazia isso frequentemente e às vezes sem ter fortes motivos para nos açoitar. Apesar desse aspecto que eu não apreciava, a minha professora teve um papel muito relevante na minha aprendizagem tanto da leitura como da escrita.

            À medida que eu ia aprendendo as letras do alfabeto, chegava em casa recorria ao “Meu Livro de Histórias Bíblicas”. Com  a ajuda do meu pai tentava reconhecer as letras que eu já tinha aprendido na escola e ao mesmo tempo ia formando sílabas soletrando-as. Passar por este processo de aprendizagem não foi tão difícil, visto que eu tinha interesse em aprender. Quando eu conseguia reconhecer uma letra, ou ler a mínima palavra que fosse, a alegria e a satisfação ficavam estampadas no meu rosto. Era como se eu tivesse ganho um troféu.

            Apreciava bastante a dedicação da minha querida mãe. Ela escrevia as letras e às vezes palavras, de seguida eu passava o lápis por cima daquilo que ela escrevia. Em alguns casos, ela colocava  a mão dela em cima da minha para que eu conseguisse escrever da melhor forma possível e só depois eu tinha que escrever tudo sozinha.

            O gosto por aprender a ler e a escrever, o auxílio dos meus pais e o facto de a minha professora ser exigente, fizeram com que eu não tivesse muitas dificuldades na minha aprendizagem da leitura e da escrita.

            Os anos passaram-se e a cada dia aprimorava a minha leitura e escrita e com certeza isso tornou-se para mim uma verdadeira e grande conquista.



Rosângela Odalys Spínola Fortes

Escola Secundaria Dr. Teixeira de Sousa - Ilha do Fogo



 

Memórias de Letramento
O Quadro Negro
Hoje quando nos encontramos o assunto gira a volta da nossa infância, das férias em Santo Antão, das peripécias na Avenida de Holanda, das incursões a dispensa, das insurras nas ruas de Ribeira Bote… Enfim as nossas memórias vagueiam no espaço e no tempo tentando resgatar os momentos felizes em que vivíamos ansiando as próximas férias, para que os primos se encontrassem para novas e ávidas aventuras.
Ao reviver o passado, a nostalgia e as gargalhadas ecoam pelo ar transportando-nos para momentos inesquecíveis. O objeto bastante recordado é sem dúvida o quadro negro. É que um ano antes de frequentarmos o ensino primário o meu pai iniciavam connosco uma caminhada pelo mundo das letras. O quadro negro figurava-se para nós um mundo a ser desbravado. A tela negra, a nossa frente, era o mundo a ser descoberto e cada risco branco parecia uma incursão ao mundo que íamos conhecendo. Quadro negro que ele mesmo mandava confecionar nos estaleiros e começávamos - a, e, i, o, u. 
Era com grande ansiedade que aguardávamos a nossa vez. A curiosidade aumentava, aumentava até que sorrateiramente chegávamos e sentávamos a escutar a lição dos mais velhos. O resultado disso são várias histórias e alguns relatos maldosos, que hoje ganharam vida apesar de alguma contestação.
Contudo o meu contacto com as letras começou antes disso. Quando “rebolbia” os pertences do meu irmão, grande leitor de banda desenhada, à procura dos livrinhos de “Tio patinhas”.
Sem saber ler observa atentamente as imagens, a minha curiosidade descodificava as mensagens gravadas nos balões de fala. Ainda hoje a minha mãe relata algumas destas histórias. Contudo quando a imaginação faltava e a curiosidade inflamava lá ia atrás dos meus familiares.
Meu pai muito paciente ensinou-nos as primeiras letras, mas o seu trabalho teve continuidade. Pessoas maravilhosas Deus colocou no meu caminho para me ajudarem nesta estrada de letras. Todas elas guardo no coração, Dona Aldina muito meiga e querida, Dona Lourdes mais severa, mas igualmente amiga.
Hoje de posse do conhecimento da linguagem das letras, revejo-me nas minhas filhas. No encanto que nasce quando abrem um livro e fluí uma história criada pela imaginação. Na alegria da constante de um nova aprendizagem.

Cesária Janine Dias Gomes Leite

Escola secundária Amor De Deus - Praia Cabo Verde

25/08/2012- Fortaleza

 


 

Direitos violados, mas recuperados



Bem pequenininha, os meus sonhos foram violados. Uma menina cheia de ideias, ilusões, sensações, pensando que poderia conseguir e ser tudo o que imaginava. Aos quatro anos de idade, deveria entrar no ensino pré-escolar, mas devido a algumas burocracias fui impedida de entrar, por isso tive de esperar mais um ano. Neste meio tempo andava a vasculhar os livros e cadernos escolares do meu irmão e do meu tio. Copiava as letras que via para uma folha qualquer mesmo sem saber como se chamavam e qual a sua função.

O meu livro preferido na época era um gigante livro azul de Francês que o meu tio estudava numa classe desproporcional à minha idade. Tentava interpretar os desenhos contidos e produzir sons arrepiantes frutos da minha imaginação.

Chegou o tão desejado ano em que iria para a escola, era tanta emoção ao receber os meus primeiros materiais escolares novinhos em folha, mas acompanhados de uma mochila velha oferecida por alguém, mas que para mim era como uma joia preciosa.

De novo não conseguiram, penso que por falta de garra, matricular-me no primeiro ano do ensino básico. Meu Deus, chorei um rio de lágrimas, fiquei tão magrinha que o vento é que me conduzia. Felizmente, eu reagi e lá estava eu, a rabiscar qualquer papel, copiando tudo que via e principalmente aborrecendo os lá em casa, perguntando: “qual o nome desta letra? O que está aqui escrito? O que significa isso?”

A única pessoa lá em casa que valorizava a minha atitude era o meu avô. Este afogava-me de elogios o que me dava asas para voar. Vovô ou mamãe, quem sabe, ofereceu-me um caderno de capa preta. À primeira vista, esta cor de capa assustou-me, mas quando a abri e deparei com uma imensidão de folhas brancas, parecendo nuvens que me levariam aos céus, irradiou uma luz contagiante nos meus pequenos olhos.

Lembro-me das tardes em que o meu tio nos ensinava a  desenhar as letras, cobrir outras, desenhar coisas dentro de casa ou do bairro, pintar etc. O capa preto ficou tão cheio de rabiscos que nem eu era capaz de decifrar, mas essas estruturas foram organizando na minha cabeça. Algum tempo depois, adquiri uma destreza manual que fluía como uma pena.

 No ano seguinte, já mais preparada, entrei na escola com algumas experiências adquiridas (letramento), o que me deu impulso para crescer e aprofundar os meus conhecimentos da escrita e oralidade. Ainda continuo voando, sem intenção de parar.


Evolorena Maria Neves Oliveira
Escola Secundária Luciano Garcia
São Lourenço dos Órgãos – Santiago – Cabo Verde



Meus primeiros passos de letramento

A triste sorte caiu-me em cima e fiquei sem a minha mãe ainda bem pequeno mas, a bênção dos céus deu-me uma avó que cuidou de mim e fez de mim o homem que hoje sou.

Já com 6 anos, muito preocupada, ela matriculou-me no jardim dos padres capuchinhos, bem pertinho da nossa casa.

 A monitora, minha tia, foi quem me ensinou as primeiras canções, as histórias de Ti Lobo e Chibinho, da princesa que se casou com o diabo Nhô Caulino e as rezas de agradecimento a Deus e a S. Francisco de Assis.

Chegou finalmente o dia tão esperado; o dia de ir para a escola. Foi numa manha do mês de Outubro do ano da graça de 1992. Todo ansioso, lá ia o Diniz rumo à escola de Miguel Gonçalves. Uma escola antiga, construída no período colonial, com apenas uma sala, uma cantina e o pátio onde brincávamos.

Carlos “ Carlinhos” era o meu professor, muito sábio, uma velha raposa. Foi o primeiro a ensinar-me a desenhar, em forma de ondas, quadrinhos, linhas rectas e semi-rectas, as primeiras letras.

 Lembro-me, como se fosse hoje do dia em que me ensinava a riscar o “R” e a diferenciar os seus valores sonoros nas palavras “carro” e “caro”, da escrita do “a,e,i,o,u”, através de triângulos para desenhar a letra “A”, as riscas em arcos entrelaçados para aprender a desenhar a letra “e”, de risquinhas em pauzinhos para fazer o “I”, bolinhas para aprender a letra “O” ou então ondas invertidas para fazer o “U”. A junção de um vogal e uma consoante para silabas através do nosso manual de leitura, com o texto, “O Beto joga à bola”. “B+E=BE”, “T+O=TO” e “BE+TO=BETO”
 O Gigi virou a tigela da gemada.” E de tentos outros pequenos textos, para estudarmos as sílabas e as palavras.

No final do ano todo orgulhoso, já sabia soletras bem as palavras e textos com muitas mais frases das que continha o nosso manual de leitura.

Meu pai foi aquele que me propunha os desafios mais aliciantes para a leitura e escrita de palavras e frases mais difíceis e os exercícios de aritmética.

Em suma, as minhas lembranças de escrita e letramento estão na infância bem guardadas. A preocupação da minha avó, as histórias, as canções e as rezas da minha tia, os sábios ensinamentos da velha raposa das letras e dos números, das sílabas e das palavras, das frases e dos textos.

Diniz dos Anjos

Fortaleza, Agosto de 2012


MINHAS MEMÓRIAS DE ESCRITA

As três professoras da minha infância

Hoje, quando lembro do meu primeiro contacto com a escrita, as figuras de três pessoas percorrem a minha mente.

Lembro-me da professora Manuela, uma senhora de pele branca, cabelos longos que todos os dias trocava a sua blusa por uma bata branca, muito limpinha. Ela chegava na escola primária de Achada Santo António muito cedo e, sempre que chegávamos, ela lá se encontrava toda preparada para mais um dia de trabalho. Chamava os alunos um por um até a Sara que era a última aluna. De seguida, corrigia os trabalhos de casa (que era uma constante na nossa vida). Ela felicitava os alunos que faziam e repreendia os que não faziam. Eu gostava desta parte porque quase sempre fazia o trabalho de casa e recebia algum reforço.

Depois começávamos a aula de leitura. Era um tempo muito divertido porque o aluno que lesse as palavras erradas teria um castigo imposto pela professora; algumas vezes, ficava na sala de aula enquanto os colegas brincavam no intervalo. Outras vezes, recebia até havia castigos físicos.

Na nossa sala havia um rapaz muito irreverente; ele desafiava a professora e maltratava os colegas. Um dia descobrimos que ele iria viajar para os Estados Unidos e ficamos  felizes da vida.

A outra pessoa é a minha irmã mais velha que era professora da Escola Primária em Calheta. Todos os  fins   de semana, ela ia para a cidade da Praia visitar a  família e aproveitava para  ajudar-me nos deveres  escolares. Ela é uma pessoa muito importante na minha vida, principalmente, depois da morte da nossa mãe, há dois anos e quatro meses.

Também não poderia deixar de referir a minha professora da Escola Dominical que todos os Domingos contava as histórias bíblicas para uma classe de, mais ou menos, doze crianças. Cada história era contada com muito amor e ela utilizava algumas figuras coloridas num quadro de flanela. Todos deliciavam com as histórias contadas por elas.

Essas professoras fizeram parte do meu percurso e hoje penso nelas com muitas saudades e gratidão.

Maria da Luz Cardoso

25 de julho de 2012





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